Linha genealógica dos deuses gregos
Seis gerações, do vazio primordial à descendência heroica, na sequência apresentada pela Teogonia de Hesíodo — a versão mais influente, embora não a única. Nomes com verbete estão destacados; os demais aparecem como referência de parentesco.
Como ler este quadro
A árvore genealógica grega não é um documento: é o resultado da leitura de poemas escritos em séculos diferentes. Hesíodo organizou a sucessão em gerações para explicar como o poder chegou a Zeus, e é essa estrutura que aparece aqui. Sempre que outra tradição antiga propõe parentesco diferente, a divergência está registrada ao final da página.
IPotências primordiais
A Teogonia de Hesíodo começa afirmando que primeiro surgiu Caos — não um caos desordenado, mas uma abertura, um vazio escancarado. Dele e ao lado dele vêm potências que não têm pais: a Terra, a Noite, o abismo. Nenhuma delas é criadora do mundo no sentido de um deus criador.
- CaosΧάοςabertura primordial
- GaiaΓαῖαterra
- TártaroΤάρταροςabismo
- ErosἜρωςimpulso de união
- NixΝύξnoite
- ÉreboἜρεβοςtreva
IICéu e Terra
Gaia gera Urano, o céu, e com ele forma o primeiro casal divino. Dessa união nascem os titãs, os Ciclopes e os Hecatônquiros — três grupos que serão decisivos na guerra pela soberania.
- GaiaΓαῖαterra
- com
- UranoΟὐρανόςcéu
IIIA geração dos titãs
Doze titãs, segundo Hesíodo, além dos Ciclopes, que forjarão o raio de Zeus, e dos Hecatônquiros, gigantes de cem braços. Cronos, o mais novo, destrona o pai e assume o poder.
- CronosΚρόνοςo mais novo
- ReiaῬείαmãe dos olímpicos
- OceanoὨκεανόςáguas circundantes
- TétisΤηθύς
- HipérionὙπερίων
- TéiaΘεία
- JápetoἸαπετόςpai de Prometeu
- CéosΚοῖος
- FebeΦοίβη
- CrioΚρεῖος
- TêmisΘέμιςa norma
- MnemósineΜνημοσύνηmemória
IVFilhos de Cronos e Reia
Cronos devora os filhos ao nascer para não repetir a sorte do pai. Reia salva o último, Zeus, que depois obriga o pai a devolver os irmãos. A ordem de nascimento varia nas fontes; a Teogonia apresenta Héstia como a primeira e Zeus como o último.
VA geração olímpica
Os filhos de Zeus com diferentes consortes formam o grupo que os gregos cultuavam como os olímpicos. A composição dos "doze" nunca foi fixa: variava por cidade e por época, e Hades, por governar outro domínio, em geral não era incluído.
VIDescendência heroica
Muitas famílias gregas ligavam sua origem a uma união entre divindade e mortal. Essas genealogias sustentavam reivindicações políticas locais, e por isso mesmo variam de cidade para cidade.
Versões em conflito
Onde as fontes discordam
Quatro casos em que a genealogia depende de qual autor antigo se está lendo. Nenhuma das versões pode ser tratada como a correta.
- O duplo nascimento de Afrodite
Na Teogonia, Afrodite nasce da espuma do mar formada quando Urano é mutilado, o que a torna mais antiga que Zeus. Na Ilíada, ela é filha de Zeus e Dione. As duas versões circularam juntas na Antiguidade, e autores antigos chegaram a distinguir duas deusas.
- A paternidade de Hefesto
Hesíodo afirma que Hera o gerou sozinha, em resposta ao nascimento de Atena pela cabeça de Zeus. Outras fontes o apresentam como filho de Zeus e Hera. A escolha entre as versões muda o sentido do episódio.
- Quem era o pai de Teseu
A tradição ateniense o faz filho de Egeu, rei de Atenas, mas várias fontes incluem uma união com Poseidon na mesma noite, atribuindo ao herói dupla paternidade — recurso frequente nas genealogias heroicas.
- Titãs e Titânides além de Hesíodo
Listas alternativas de titãs aparecem em compêndios posteriores, que acrescentam ou substituem nomes. A relação de doze não é uma doutrina: é a versão hesiódica, que se tornou dominante por ser a mais lida.
Consultar por nome
A enciclopédia reúne 43 verbetes com busca por nome, epíteto e símbolo.
Fontes
A Teogonia e as demais obras usadas nesta página estão descritas na bibliografia.