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MythoCortex Mitologia grega

Glossário de termos gregos

Palavras que aparecem com frequência nos verbetes e que costumam ser traduzidas de forma imprecisa. Ao final, uma tabela de equivalências entre nomes gregos e romanos, com a indicação do que muda de um sistema religioso para o outro.

Aedo ἀοιδός aoidós
Cantor que compunha e executava poesia oralmente, acompanhado de instrumento de cordas. Antes de existirem textos fixos, os mitos circulavam na performance dos aedos, o que ajuda a explicar por que cada região conhecia versões próprias.
Ambrosia e néctar ἀμβροσία, νέκταρ ambrosía, néktar
Alimento e bebida dos deuses. Não são apenas manjares: nas fontes, marcam a diferença de natureza entre imortais e mortais, que comem pão e bebem vinho.
Ate ἄτη áte
Desvario que leva alguém a agir contra o próprio interesse, muitas vezes descrito como enviado por uma divindade. É a explicação grega mais comum para decisões ruinosas de personagens lúcidos.
Catábase κατάβασις katábasis
Descida ao mundo dos mortos. Aparece nas histórias de Héracles, Orfeu, Teseu e Odisseu, sempre como prova extrema e como oportunidade de obter conhecimento indisponível aos vivos.
Ctônico χθόνιος chthónios
Relativo ao subsolo. Divindades ctônicas recebiam ritos diferentes dos olímpicos — oferendas derramadas no chão, em geral noturnas. A distinção entre olímpico e ctônico organiza boa parte da religião grega.
Daimon δαίμων daímon
Potência divina sem identidade definida, invocada quando a fonte não sabe ou não precisa nomear o deus responsável por um acontecimento. O sentido moderno de "demônio" é posterior e cristão.
Epíteto ἐπίθετον epítheton
Qualificativo fixo que acompanha o nome de uma divindade e frequentemente identifica sua função ou seu santuário. Cada epíteto podia corresponder a um culto distinto, com rituais próprios.
Hecatombe ἑκατόμβη hekatómbe
Literalmente, sacrifício de cem bois. Designa oferendas de grande porte, e o termo passou a ser usado para qualquer sacrifício solene.
Hecatônquiros Ἑκατόγχειρες Hekatóncheires
Os três gigantes de cem braços, filhos de Gaia e Urano. Libertados por Zeus, decidem a Titanomaquia e depois guardam os titãs no Tártaro.
Herói ἥρως héros
Figura de força excepcional, em geral de ascendência divina, que recebia culto após a morte, com frequência junto ao túmulo. O herói grego não é modelo de virtude: várias narrativas insistem em seus excessos e em seu castigo.
Hybris ὕβρις hýbris
Excesso que ultrapassa a medida devida a deuses e a outros mortais. Em contexto jurídico ateniense designava ultraje contra pessoas; nos mitos, costuma antecipar a punição divina.
Kleos κλέος kléos
Renome que sobrevive à morte, transmitido pelo canto. Na Ilíada, é o bem que Aquiles escolhe em lugar de uma vida longa.
Libação σπονδή, χοή spondé, choé
Oferenda líquida derramada em honra de uma divindade. Spondé costuma acompanhar divindades olímpicas; choé, derramada no solo, pertence ao culto dos mortos e às divindades ctônicas.
Miasma μίασμα míasma
Mácula ritual contraída por homicídio, contato com a morte ou violação de interdito. Não é sujeira física nem culpa moral: é um estado que impede a aproximação do sagrado até a purificação.
Mistérios μυστήρια mystéria
Cultos de iniciação com conteúdo mantido em segredo, como os de Elêusis, ligados a Deméter e Perséfone. O sigilo era eficaz: sabemos pouco sobre o que acontecia neles.
Mito μῦθος mýthos
Em grego, significa fala, relato, história narrada. A oposição entre mýthos e lógos como falso contra verdadeiro é uma leitura posterior, e não a maneira como os próprios gregos usavam os dois termos.
Moira μοῖρα moîra
Porção, parte atribuída a cada um — daí destino. No plural, as Moiras são três divindades que fiam, medem e cortam o fio da vida. Em várias passagens, até Zeus respeita a moîra.
Nêmesis νέμεσις némesis
Indignação que restabelece a medida, e também a divindade que a personifica. Opera como contrapartida da hýbris.
Ninfa νύμφη nýmphe
Divindade feminina menor, ligada a um lugar concreto: fonte, rio, árvore, monte, gruta. São inúmeras e locais, o que as torna presença constante nos cultos rurais.
Nostos νόστος nóstos
Retorno ao lar. Organiza a Odisseia e um ciclo inteiro de narrativas sobre os combatentes que voltam — ou não voltam — de Troia.
Oráculo μαντεῖον, χρησμός manteîon, chresmós
O santuário onde se consultava a divindade e também a resposta obtida. O mais influente foi o oráculo de Delfos, consultado por cidades antes de decisões públicas.
Panteão πάνθειον pántheion
Conjunto das divindades de uma comunidade. Cada cidade grega tinha o seu, com hierarquias próprias: o Zeus de Olímpia e a Atena de Atenas ocupavam posições diferentes das que teriam em outra pólis.
Pítia Πυθία Pythía
Sacerdotisa que pronunciava as respostas do oráculo de Delfos em nome de Apolo. Era uma mulher da própria cidade, e o cargo era vitalício.
Pólis πόλις pólis
Cidade-estado, unidade política do mundo grego. Como cada pólis tinha calendário, cultos e mitos próprios, a mitologia grega nunca foi um corpo unificado.
Psyché ψυχή psyché
Sopro vital que abandona o corpo na morte. Na Odisseia, as psychaí dos mortos são sombras sem força, que só recuperam a fala ao receber oferendas.
Teogonia θεογονία theogonía
Relato do nascimento dos deuses. É também o título do poema de Hesíodo que se tornou a referência para a genealogia divina grega.
Timé τιμή timé
Honra reconhecida publicamente, expressa em prêmios, assentos, porções de sacrifício. Conflitos centrais da Ilíada nascem de disputas por timé, não por bens materiais.
Titã Τιτάν Titán
Membro da geração divina anterior aos olímpicos, filha de Gaia e Urano. O uso moderno da palavra como sinônimo de gigante não corresponde ao sentido grego.
Xênia ξενία xenía
Hospitalidade como obrigação sagrada e vínculo recíproco entre anfitrião e hóspede, protegido por Zeus. Violá-la é motivo suficiente para desencadear guerra, como no rapto de Helena.
Xoanon ξόανον xóanon
Imagem de culto antiga, em geral de madeira, tida como muito remota. Pausânias descreve vários deles, e sua simplicidade era considerada sinal de antiguidade e prestígio.

Nomes gregos e romanos

Os romanos identificaram suas divindades às gregas, e tradutores latinos passaram a substituir os nomes. A correspondência é útil, mas engana quando tratada como tradução exata: cada figura tinha cultos, atribuições e história própria. Textos latinos — como as Metamorfoses de Ovídio — são fontes romanas que reelaboram material grego, e nos verbetes aparecem sempre identificados como tais.

Equivalências mais frequentes e suas diferenças
Nome gregoNome romanoO que muda
ZeusJúpiterAmbos soberanos e celestes, mas Júpiter está ligado ao direito público romano e ao culto capitolino.
HeraJunoJuno integra a tríade capitolina e tem funções cívicas que Hera não exerce.
PoseidonNetunoNetuno absorve o domínio marítimo; o vínculo de Poseidon com cavalos e terremotos é mais forte na Grécia.
HadesPlutãoOs romanos usaram Plutão e Dis Pater; o nome grego Plouton já enfatizava a riqueza do subsolo.
DeméterCeresCeres tem culto agrário romano próprio, distinto dos mistérios de Elêusis.
AtenaMinervaMinerva conserva a associação com ofícios e artes, menos marcada pela guerra cidadã.
ApoloApoloCaso raro: os romanos adotaram o nome grego, com culto oficial estabelecido em Roma.
ÁrtemisDianaDiana incorpora cultos itálicos anteriores, como o de Nemi, e não corresponde ponto a ponto.
AfroditeVênusVênus ganha função política em Roma como ancestral da linhagem de Eneias.
HermesMercúrioMercúrio acentua o comércio e o lucro; Hermes é também condutor das almas e deus dos limites.
HefestoVulcanoVulcano está associado ao fogo destrutivo e a ritos de prevenção de incêndios.
AresMarteA diferença é grande: Marte é figura respeitada e fundadora em Roma, enquanto Ares é tratado com reserva nas epopeias.
DionísioBaco (Líber)O culto romano de Baco foi objeto de repressão oficial no século II a.C.
HéstiaVestaVesta tem sacerdócio próprio, as virgens vestais, sem equivalente grego.
PerséfoneProsérpinaNome latino derivado do grego, com o mesmo papel no mito do rapto.
CronosSaturnoSaturno é celebrado nas Saturnais e associado a uma idade de ouro itálica.
ReiaOpsA identificação com Cibele, de origem anatólia, aparece em ambos os mundos.
GaiaTerra (Tellus)Divindade da terra em ambos, com cultos distintos.
HéraclesHérculesA forma Hércules vem do latim e se tornou dominante nas línguas modernas.
OdisseuUlissesUlisses é a forma latina; a avaliação moral do personagem muda em autores romanos.
EríniasFúriasDivindades da vingança de sangue, com nomes e ritos diferentes.
MoirasParcasTrês em ambos os sistemas, mas com nomes e atribuições nem sempre coincidentes.
ErosCupido (Amor)Eros é potência cosmogônica em Hesíodo; Cupido é sobretudo figura literária romana.
HélioSolDivindade solar em ambos; o Sol romano ganha culto imperial próprio no período tardio.

Para percorrer as figuras citadas aqui, consulte os 43 verbetes da enciclopédia ou a linha genealógica.

Glossário revisado pela Equipe editorial MythoCortex.